sexta-feira, 13 de maio de 2016

Who are you? No one. Just, no one.



Miúda
Rapaz
Acorda
Acordem
Isto é aquilo que penso, não só sobre ti mas também sobre mim, ela ou ele, sobre todos, mas dirijo-me a ti, vocês, que nunca lerás ou lerão, principalmente.


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E escrevo-o aqui porque aquilo que escreverei é aquilo que provavelmente nunca terei coragem de dizer. Aquilo que me arrependo de ter dito quando não estás, aquilo que me arrependo de não dizer quando estás presente. Porque não o digo? Não o digo uma vez que não tenho coragem. Não o digo porque me faltam as palavras, porque não suporto essa tua cara de cachorra sem dono, cara de cachorra triste. Sim, cachorra. Cachorra ou abaixo disso. Porque as palavras magoam e eu bem o sei, e por isso mesmo que nunca tas direi de uma forma tão rude.
E tu também, rapaz Maria, rapaz Maria vai com as outras. Maria seria um nome que te assentaria que nem uma luva.

Não têm consciência? Não têm vida própria?
E eu, que ser humano horroroso, sou tão fraca ao ponto de guardar estes pensamentos e palavras para as vossas costas, em vez de vos dizer na cara como deveria. Que falsa. Que desprezível. Não é que não tenha compaixão por vocês, pobres almas, nas quais eu estou incluída, pois eu tenho. E custa-me ver, essencialmente, aquilo em que se estão a tornar. Ridículos. Nada. Custa-me, ter ainda um pingo de preocupação por vocês, e não conseguir fazer nada, mas eu vou tentando. Aos poucos, talvez com alguma rudeza e um toque frio. Não quero ser , mas já o sou. E a verdade dói, e dói tanto que eu não a consigo dizer completamente. Então, minto? Oculto parte da verdade. Tento dizê-la em pedaços, de uma forma não tão brusca, de uma forma não tão violenta quanto os meus tempestuosos pensamentos.
Eu consigo vê-lo. Eu consigo ver aquilo que são, ou, no caso, aquilo que poderiam ser. Consigo ver qualidades que à partida seriam vossas, e que todos poderiam ver, que todos poderiam querer ter, mas em vez disso, vocês teimam em esconder-se na sombra dos outros, mostrar aquilo que não devia ser visto e deixar a vossa verdadeira identidade desaparecer. E, como todas as sombras, são sombrias, envoltas numa escuridão, sem luz, sem vida.
Vocês...

Não se estão a tornar nada. Não se estão a tornar ninguém.
Estão a tornar-se vestígios da vida dos outros, sugando aquilo que não é vosso e fazendo disso a vossa própria vida, se assim lhe quiserem chamar.
Deviam tentar impor-se sem terem que pisar outros.
Deviam parar de tentar dar-se a conhecer sendo quem não são.
Deviam começar a usar o cérebro, em vez de se aproveitarem do cérebro dos outros.
Deviam tentar dar mais cor à vossa vida, e não deixá-la transparente.

Deviam tentar... Deviam tentar... E tentam? 
Não, não tentam. 
Muito pelo contrário. 

E por isso, não mudo a minha opinião.


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